quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Pior do que a voz que cala, é um silêncio que fala.



Simples, rápido!

E quanta força!Imediatamente me veio à cabeça situações sem que o silêncio me disse verdades terríveis,pois você sabe, o silêncio não é dado a amenidades.Um telefone mudo. Um e-mail que não chega.Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca.

Silêncios que falam sobre desinteresse,esquecimento, recusas.Quantas coisas são ditas na quietude,depois de uma discussão.O perdão não vem, nem um beijo,nem uma gargalhada para acabar com o clima de tensão.Só ele permanece imutável,o silêncio, a ante-sala do fim.É mil vezes preferível uma voz que diga coisas que a gente não quer ouvir, pois ao menos as palavras que são ditas indicam uma tentativa de entendimento.

Cordas vocais em funcionamento articulam argumentos,expõem suas queixas, jogam limpo.Já o silêncio arquiteta planos que não são compartilhados.Quando nada é dito, nada fica combinado.Quantas vezes, numa discussão histérica,ouvimos um dos dois gritar:"Diz alguma coisa, mas não fica aí parado me olhando!"É o silêncio de um, mandando más notícias para o desespero do outro.

É claro que há muitas situaçõe sem que o silêncio é bem-vindo.Para um cara que trabalha com uma britadeira na rua,o silêncio é um bálsamo, para a professora de uma creche,o silêncio é um presente,para os seguranças de um show de rock,o silêncio é um sonho...

Mesmo no amor,quando a relação é sólida e madura,o silêncio a dois não incomoda,pois é o silêncio da paz.

O único silêncio que perturba,é aquele que fala. E fala alto.É quando ninguém bate à nossa porta,não há email na caixa de entrada não há recados na secretária eletronica e mesmo assim, você entende a mensagem.


Marta Medeiros

Desconstruções


Quando a gente conhece uma pessoa, construímos uma imagem dela. Esta imagem tem a ver com o que ela é de verdade, tem a ver com as nossas expectativas e tem muito a ver com o que ela "vende" de si mesma. É pelo resultado disso tudo que nos apaixonamos.

Se esta pessoa for bem parecida com a imagem que projetou em nós, desfazer-se deste amor, mais tarde, não será tão penoso. Restará a saudade, talvez uma pequena mágoa, mas nada que resista por muito tempo. No final, sobreviverão as boas lembranças.

Mas se esta pessoa "inventou" um personagem e você caiu na arapuca, aí, somado à dor da separação, virá um processo mais lento e sofrido: a de desconstrução daquela pessoa que você achou que era real. Desconstruindo Flávia, desconstruindo Gilson, desconstruindo Marcelo.

Milhares de pessoas estão vivendo seus dias aparentemente numa boa, mas por dentro estão desconstruindo ilusões, tudo porque se apaixonaram por uma fraude, não por alguém autêntico. Ok, é natural que, numa aproximação, a gente "venda" mais nossas qualidades que defeitos. Ninguém vai iniciar uma história dizendo: muito prazer, eu sou arrogante, preguiçoso e cleptomaníaco.

Nada disso, é a hora de fazer charme. Mas isso é no começo. Uma vez o romance engatado, aí as defesas são postas de lado e a gente mostra quem realmente é, nossas gracinhas e nossas imperfeições. Isso se formos honestos. Os desonestos do amor são aqueles que fabricam idéias e atitudes, até que um dia cansam da brincadeira, deixam cair a máscara e o outro fica ali, atônito. Quem se apaixonou por um falsário, tem que desconstruí-lo para se desapaixonar.

É um sufoco. Exige que você reconheça que foi seduzido por uma fantasia, que você é capaz de se deixar confundir, que o seu desejo de amar é mais forte do que sua astúcia. Significa encarar que alguém por quem você dedicou um sentimento nobre e verdadeiro não chegou a existir, tudo não passou de uma representação – e olha, talvez até não tenha sido por mal, pode ser que esta pessoa nem conheça a si mesma, por isso ela se inventa. A gente resiste muito a aceitar que alguém que amamos não é, e nem nunca foi, especial.

Que sorte quando a gente sabe com quem está lidando: mesmo que venha a desamá-lo um dia, tudo o que foi construído se manterá de pé.


Marta Medeiros

Sobre humilhação


Durante uma vida a gente é capaz de sentir de tudo, são inúmeras as sensações que nos invadem, e delas a arte igualmente já se serviu com fartura. Paixão, saudades, culpa, dor-de-cotovelo, remorso, excitação, otimismo, desejo – sabemos reconhecer cada uma destas alegrias e tristezas, não há muita novidade, já vivenciamos um pouco de cada coisa, e o que não foi vivenciado foi ao menos testemunhado através de filmes, novelas, letras de música.

Há um sentimento, no entanto, que não aparece muito, não protagoniza cenas de cinema nem vira versos com freqüência, e quando a gente sente na própria pele, é como se fosse uma visita incômoda. De humilhação que falo.

Há muitas maneiras de uma pessoa se sentir humilhada. A mais comum é aquela em que alguém nos menospreza diretamente, nos reduz, nos coloca no nosso devido lugar - que lugar é este que não permite movimento, travessia?

Geralmente são opressões hierárquicas: patrão-empregado, professor-aluno, adulto-criança. Respeitamos a hierarquia, mas não engolimos a soberba alheia, e este tipo de humilhação só não causa maior estrago porque sabemos que ele é fruto da arrogância, e os arrogantes nada mais são do que pessoas com complexo de inferioridade. Humilham para não se sentirem humilhados. Mas e quando a humilhação não é fruto da hierarquia, mas de algo muito maior e mais massacrante: o desconhecimento sobre nós mesmos?

Tentamos superar uma dor antiga e não conseguimos. Procuramos ficar amigos de quem já amamos e caímos em velhas ciladas armadas pelo coração. Oferecemos nosso corpo e nosso carinho para quem já não precisa nem de um nem de outro.

Motivos nobres, mas os resultados são vexatórios. Nesses casos, não houve maldade, ninguém pretendeu nos desdenhar.

Estivemos apenas enfrentando o desconhecido: nós mesmos, nossas fraquezas, nossas emoções mais escondidas, aquelas que julgávamos superadas, para sempre adormecidas, mas que de vez em quando acordam para, impiedosas, nos colocar em nosso devido lugar.


Marta Medeiros

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Música / Vanessa da Mata


Nosso sonho

Se perdeu no fio da vida

E eu vou embora

Sem mais feridas

Sem despedidas

Eu quero ver o mar

Eu quero ver o mar

Eu quero ver o mar

Se voltar desejos

Ou se eles foram mesmo

Lembre da nossa música

Música

Se lembrar dos tempos

Dos nossos momentos

Lembre da nossa música

Música

Nossas juras de amor

Já desbotadas

Nossos beijos de outrora

Foram guardados

Nosso mais belo planoDesperdiçado

Nossa graça e vontade

Derretem na chuva


Se voltar desejos

Ou se eles foram mesmo

Lembre da nossa música

Música

Se lembrar dos tempos

Dos nossos momentos

Lembre da nossa música

Música


Um costume de nós

Fica agarrado

As lembranças, os cheiros.

Dilacerados

Nossa bela história

Está no passado

O amor que me tinhas

Era pouco e se acabou...

Se voltar desejos

Ou se eles foram mesmo

Lembre da nossa música

Música

Se lembrar dos tempos

Dos nossos momentos

Lembre da nossa música

Música

quinta-feira, 5 de julho de 2007

O Brasil e o mundo podem fazer mal a sáude...


Minha ATUAL "profissão" é ver o mal do mundo...


Repugna-me ver sorrisos luminosos de celebridades bregas, passo de ganso de manequim, mulher pensando feito homem, caçando namorados semanais, horroriza-me sermos um bando de patetas de consumo, como crianças brincando num shopping, enquanto os homens-bomba explodem no Oriente e Ocidente.Não agüento mais cadáveres na Faixa de Gaza e na Penha , ônibus em fogo em Cordovil e trens sangrando em Madri.....não agüento mais... chuvas em São Paulo e desabamentos no Rio, gente fugindo de balas perdidas na Vila Cruzeiro, enquanto a Igreja Universal constrói templos de mármore com dinheiro dos pobres e chutando a imagem de Nossa Senhora, enquanto formigueiros de fiéis bárbaros do Islã rezam com os rabos para cima, não agüento mais ver xiitas sangrando, dançando e batendo na cabeça no tão esperado século 21, enquanto Bush reza na Casa Branca ...

Sangue sugas e mensaleiros soltos e sempre dispostos para dar mais um bote!

Me causa revolta IPTU, IPVA, IMPOSTO DE RENDA, MULTAS DE TRÂNSITO e tantos outros tributos que temos que pagar todos os anos sem ver retorno nenhum.

Escolas fechadas pela guerra nas comunidades, ensino precário, professores frustrados, hospitais INDECENTES.

Palestinos X Israelenses, não agüento mais ver que a pior violência é o acostumamento com a violência, pois o mal se banaliza e o bem vira um luxo só para quem pode bancar um carro blindado... não agüento... intelectuais de botequim falando de política, festas de celebridades com cascata de camarão, evangélicos intocados pela lei, novas forças-tarefa, Lula na festa junina, políticos se defendendo de roubalheira falando em honra ilibada, conselhos de notáveis para estudar problemas sem solução, dá-me repulsa e lágrimas ver mulheres-bomba tirando foto com os filhinhos antes de explodir e subir aos céus dos imbecis, odeio Sharon , a cara de sábia da sua enome estupidez , o efeito estufa, o derretimento das calotas polares, a água acabando, pedofilia perdoada na igreja, Chávez e seus devaneios, Maluf negando, Renan Calheiros negando, Dirceu esquecido ...enquanto juízes, delegados, promotores e delegados corruptos reclamam do controle do Judiciário.Foro privilegiado, imunidade parlamentar,IMPUNIDADE . Não agüento mais... cúpulas do G7, lamentando a miséria para nada, e tenho medo que E tenho medo, acima de tudo, de que as pessoas não agüentem mais a democracia e joguem o País de vez no buraco...Haja esperança!!!

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Fazer valer a pena...


"É fácil não querer saber, ter medo e fugir

Ser um personagem distante

É fácil beijar quem pouco te mexe

O difícil é tremer

Desejar demais, arder em febre

Ter medo do que não se conhece

De descontrolar-se, de se perder, de se esquecer

Mas seguir adiante

Gelar as mãos

Suar o rosto corado de sangue

Ridicularizar-se

Palpitar o coração

Expor-se frágil dama, sendo homem ou mulher, às dolorosas boas penas

Se dar e às vezes se jogar a um desconhecido qualquer

Num gosto antídoto, intenso

Gostar do atrevimento e do profundo irrompendo

Fazendo-se viver realmente em dobro

Perceber o que não se fazia perceber

É um cisco o provisório demais

Não ser radical e inteiro ao que pode o bem

O bom mesmo é viver a generosidade da entrega

Responder ao aperfeiçoamento que não havia ainda

A soma do que começa e do que finda

A vida e a morte quando se beija

Às vezes coragem é ficar de frente

Tremer e não correr perante o gigante

Se sentir inocente

Sonhar numa plenitude como se tivesse chegado a eternidade

E de nada mais importar-se

Falar palavras tontas numa dicção solene

Sentir o coração rebelde chacoalhando, chamando, querendo, pedindo, independentemente

E então não resistir à fome que a alma e o corpo temem

Se ver na letra que a música grita, que antes, careta, não se suportava

Num susto se percebe docemente que agora existe um único sentido

Uma resposta em nenhuma pergunta

Tudo se torna dele

Das intensidades do amor que vão da angústia à felicidade

E é talvez a única arte que a arte transmite ao homem em sua total integridade."


Vanessa da Mata

sexta-feira, 18 de maio de 2007

É


É, a gente quer valer o nosso amor


A gente quer valer nosso suor


A gente quer valer nosso humor


A gente quer do bom e do melhor


A gente quer carinho e atenção


A gente quer calor no coração


A gente quer suar mas de prazer


A gente quer é ter muita saúde


A gente quer viver a liberdade


A gente quer viver felicidade...


É, a gente não tem cara de panaca


A gente não tem jeito de babaca


A gente não está com


A bunda exposta na janela


Pra passar a mão nela


É, a gente quer viver pleno direito


A gente quer é ter todo respeito


A gente quer viver uma nação


A gente quer é ser um cidadão!!!