quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Pior do que a voz que cala, é um silêncio que fala.



Simples, rápido!

E quanta força!Imediatamente me veio à cabeça situações sem que o silêncio me disse verdades terríveis,pois você sabe, o silêncio não é dado a amenidades.Um telefone mudo. Um e-mail que não chega.Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca.

Silêncios que falam sobre desinteresse,esquecimento, recusas.Quantas coisas são ditas na quietude,depois de uma discussão.O perdão não vem, nem um beijo,nem uma gargalhada para acabar com o clima de tensão.Só ele permanece imutável,o silêncio, a ante-sala do fim.É mil vezes preferível uma voz que diga coisas que a gente não quer ouvir, pois ao menos as palavras que são ditas indicam uma tentativa de entendimento.

Cordas vocais em funcionamento articulam argumentos,expõem suas queixas, jogam limpo.Já o silêncio arquiteta planos que não são compartilhados.Quando nada é dito, nada fica combinado.Quantas vezes, numa discussão histérica,ouvimos um dos dois gritar:"Diz alguma coisa, mas não fica aí parado me olhando!"É o silêncio de um, mandando más notícias para o desespero do outro.

É claro que há muitas situaçõe sem que o silêncio é bem-vindo.Para um cara que trabalha com uma britadeira na rua,o silêncio é um bálsamo, para a professora de uma creche,o silêncio é um presente,para os seguranças de um show de rock,o silêncio é um sonho...

Mesmo no amor,quando a relação é sólida e madura,o silêncio a dois não incomoda,pois é o silêncio da paz.

O único silêncio que perturba,é aquele que fala. E fala alto.É quando ninguém bate à nossa porta,não há email na caixa de entrada não há recados na secretária eletronica e mesmo assim, você entende a mensagem.


Marta Medeiros

Desconstruções


Quando a gente conhece uma pessoa, construímos uma imagem dela. Esta imagem tem a ver com o que ela é de verdade, tem a ver com as nossas expectativas e tem muito a ver com o que ela "vende" de si mesma. É pelo resultado disso tudo que nos apaixonamos.

Se esta pessoa for bem parecida com a imagem que projetou em nós, desfazer-se deste amor, mais tarde, não será tão penoso. Restará a saudade, talvez uma pequena mágoa, mas nada que resista por muito tempo. No final, sobreviverão as boas lembranças.

Mas se esta pessoa "inventou" um personagem e você caiu na arapuca, aí, somado à dor da separação, virá um processo mais lento e sofrido: a de desconstrução daquela pessoa que você achou que era real. Desconstruindo Flávia, desconstruindo Gilson, desconstruindo Marcelo.

Milhares de pessoas estão vivendo seus dias aparentemente numa boa, mas por dentro estão desconstruindo ilusões, tudo porque se apaixonaram por uma fraude, não por alguém autêntico. Ok, é natural que, numa aproximação, a gente "venda" mais nossas qualidades que defeitos. Ninguém vai iniciar uma história dizendo: muito prazer, eu sou arrogante, preguiçoso e cleptomaníaco.

Nada disso, é a hora de fazer charme. Mas isso é no começo. Uma vez o romance engatado, aí as defesas são postas de lado e a gente mostra quem realmente é, nossas gracinhas e nossas imperfeições. Isso se formos honestos. Os desonestos do amor são aqueles que fabricam idéias e atitudes, até que um dia cansam da brincadeira, deixam cair a máscara e o outro fica ali, atônito. Quem se apaixonou por um falsário, tem que desconstruí-lo para se desapaixonar.

É um sufoco. Exige que você reconheça que foi seduzido por uma fantasia, que você é capaz de se deixar confundir, que o seu desejo de amar é mais forte do que sua astúcia. Significa encarar que alguém por quem você dedicou um sentimento nobre e verdadeiro não chegou a existir, tudo não passou de uma representação – e olha, talvez até não tenha sido por mal, pode ser que esta pessoa nem conheça a si mesma, por isso ela se inventa. A gente resiste muito a aceitar que alguém que amamos não é, e nem nunca foi, especial.

Que sorte quando a gente sabe com quem está lidando: mesmo que venha a desamá-lo um dia, tudo o que foi construído se manterá de pé.


Marta Medeiros

Sobre humilhação


Durante uma vida a gente é capaz de sentir de tudo, são inúmeras as sensações que nos invadem, e delas a arte igualmente já se serviu com fartura. Paixão, saudades, culpa, dor-de-cotovelo, remorso, excitação, otimismo, desejo – sabemos reconhecer cada uma destas alegrias e tristezas, não há muita novidade, já vivenciamos um pouco de cada coisa, e o que não foi vivenciado foi ao menos testemunhado através de filmes, novelas, letras de música.

Há um sentimento, no entanto, que não aparece muito, não protagoniza cenas de cinema nem vira versos com freqüência, e quando a gente sente na própria pele, é como se fosse uma visita incômoda. De humilhação que falo.

Há muitas maneiras de uma pessoa se sentir humilhada. A mais comum é aquela em que alguém nos menospreza diretamente, nos reduz, nos coloca no nosso devido lugar - que lugar é este que não permite movimento, travessia?

Geralmente são opressões hierárquicas: patrão-empregado, professor-aluno, adulto-criança. Respeitamos a hierarquia, mas não engolimos a soberba alheia, e este tipo de humilhação só não causa maior estrago porque sabemos que ele é fruto da arrogância, e os arrogantes nada mais são do que pessoas com complexo de inferioridade. Humilham para não se sentirem humilhados. Mas e quando a humilhação não é fruto da hierarquia, mas de algo muito maior e mais massacrante: o desconhecimento sobre nós mesmos?

Tentamos superar uma dor antiga e não conseguimos. Procuramos ficar amigos de quem já amamos e caímos em velhas ciladas armadas pelo coração. Oferecemos nosso corpo e nosso carinho para quem já não precisa nem de um nem de outro.

Motivos nobres, mas os resultados são vexatórios. Nesses casos, não houve maldade, ninguém pretendeu nos desdenhar.

Estivemos apenas enfrentando o desconhecido: nós mesmos, nossas fraquezas, nossas emoções mais escondidas, aquelas que julgávamos superadas, para sempre adormecidas, mas que de vez em quando acordam para, impiedosas, nos colocar em nosso devido lugar.


Marta Medeiros

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Música / Vanessa da Mata


Nosso sonho

Se perdeu no fio da vida

E eu vou embora

Sem mais feridas

Sem despedidas

Eu quero ver o mar

Eu quero ver o mar

Eu quero ver o mar

Se voltar desejos

Ou se eles foram mesmo

Lembre da nossa música

Música

Se lembrar dos tempos

Dos nossos momentos

Lembre da nossa música

Música

Nossas juras de amor

Já desbotadas

Nossos beijos de outrora

Foram guardados

Nosso mais belo planoDesperdiçado

Nossa graça e vontade

Derretem na chuva


Se voltar desejos

Ou se eles foram mesmo

Lembre da nossa música

Música

Se lembrar dos tempos

Dos nossos momentos

Lembre da nossa música

Música


Um costume de nós

Fica agarrado

As lembranças, os cheiros.

Dilacerados

Nossa bela história

Está no passado

O amor que me tinhas

Era pouco e se acabou...

Se voltar desejos

Ou se eles foram mesmo

Lembre da nossa música

Música

Se lembrar dos tempos

Dos nossos momentos

Lembre da nossa música

Música

quinta-feira, 5 de julho de 2007

O Brasil e o mundo podem fazer mal a sáude...


Minha ATUAL "profissão" é ver o mal do mundo...


Repugna-me ver sorrisos luminosos de celebridades bregas, passo de ganso de manequim, mulher pensando feito homem, caçando namorados semanais, horroriza-me sermos um bando de patetas de consumo, como crianças brincando num shopping, enquanto os homens-bomba explodem no Oriente e Ocidente.Não agüento mais cadáveres na Faixa de Gaza e na Penha , ônibus em fogo em Cordovil e trens sangrando em Madri.....não agüento mais... chuvas em São Paulo e desabamentos no Rio, gente fugindo de balas perdidas na Vila Cruzeiro, enquanto a Igreja Universal constrói templos de mármore com dinheiro dos pobres e chutando a imagem de Nossa Senhora, enquanto formigueiros de fiéis bárbaros do Islã rezam com os rabos para cima, não agüento mais ver xiitas sangrando, dançando e batendo na cabeça no tão esperado século 21, enquanto Bush reza na Casa Branca ...

Sangue sugas e mensaleiros soltos e sempre dispostos para dar mais um bote!

Me causa revolta IPTU, IPVA, IMPOSTO DE RENDA, MULTAS DE TRÂNSITO e tantos outros tributos que temos que pagar todos os anos sem ver retorno nenhum.

Escolas fechadas pela guerra nas comunidades, ensino precário, professores frustrados, hospitais INDECENTES.

Palestinos X Israelenses, não agüento mais ver que a pior violência é o acostumamento com a violência, pois o mal se banaliza e o bem vira um luxo só para quem pode bancar um carro blindado... não agüento... intelectuais de botequim falando de política, festas de celebridades com cascata de camarão, evangélicos intocados pela lei, novas forças-tarefa, Lula na festa junina, políticos se defendendo de roubalheira falando em honra ilibada, conselhos de notáveis para estudar problemas sem solução, dá-me repulsa e lágrimas ver mulheres-bomba tirando foto com os filhinhos antes de explodir e subir aos céus dos imbecis, odeio Sharon , a cara de sábia da sua enome estupidez , o efeito estufa, o derretimento das calotas polares, a água acabando, pedofilia perdoada na igreja, Chávez e seus devaneios, Maluf negando, Renan Calheiros negando, Dirceu esquecido ...enquanto juízes, delegados, promotores e delegados corruptos reclamam do controle do Judiciário.Foro privilegiado, imunidade parlamentar,IMPUNIDADE . Não agüento mais... cúpulas do G7, lamentando a miséria para nada, e tenho medo que E tenho medo, acima de tudo, de que as pessoas não agüentem mais a democracia e joguem o País de vez no buraco...Haja esperança!!!

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Fazer valer a pena...


"É fácil não querer saber, ter medo e fugir

Ser um personagem distante

É fácil beijar quem pouco te mexe

O difícil é tremer

Desejar demais, arder em febre

Ter medo do que não se conhece

De descontrolar-se, de se perder, de se esquecer

Mas seguir adiante

Gelar as mãos

Suar o rosto corado de sangue

Ridicularizar-se

Palpitar o coração

Expor-se frágil dama, sendo homem ou mulher, às dolorosas boas penas

Se dar e às vezes se jogar a um desconhecido qualquer

Num gosto antídoto, intenso

Gostar do atrevimento e do profundo irrompendo

Fazendo-se viver realmente em dobro

Perceber o que não se fazia perceber

É um cisco o provisório demais

Não ser radical e inteiro ao que pode o bem

O bom mesmo é viver a generosidade da entrega

Responder ao aperfeiçoamento que não havia ainda

A soma do que começa e do que finda

A vida e a morte quando se beija

Às vezes coragem é ficar de frente

Tremer e não correr perante o gigante

Se sentir inocente

Sonhar numa plenitude como se tivesse chegado a eternidade

E de nada mais importar-se

Falar palavras tontas numa dicção solene

Sentir o coração rebelde chacoalhando, chamando, querendo, pedindo, independentemente

E então não resistir à fome que a alma e o corpo temem

Se ver na letra que a música grita, que antes, careta, não se suportava

Num susto se percebe docemente que agora existe um único sentido

Uma resposta em nenhuma pergunta

Tudo se torna dele

Das intensidades do amor que vão da angústia à felicidade

E é talvez a única arte que a arte transmite ao homem em sua total integridade."


Vanessa da Mata

sexta-feira, 18 de maio de 2007

É


É, a gente quer valer o nosso amor


A gente quer valer nosso suor


A gente quer valer nosso humor


A gente quer do bom e do melhor


A gente quer carinho e atenção


A gente quer calor no coração


A gente quer suar mas de prazer


A gente quer é ter muita saúde


A gente quer viver a liberdade


A gente quer viver felicidade...


É, a gente não tem cara de panaca


A gente não tem jeito de babaca


A gente não está com


A bunda exposta na janela


Pra passar a mão nela


É, a gente quer viver pleno direito


A gente quer é ter todo respeito


A gente quer viver uma nação


A gente quer é ser um cidadão!!!








terça-feira, 1 de maio de 2007

1 DE MAIO


O trabalho infantil é repudiado por muitos, usufruído por outros tantos e exercido por cerca de 3,8 milhões de crianças e adolescentes no Brasil, o que vergonhosamente o coloca como o terceiro país da América Latina que mais inviabiliza a infância, segundo dados da Unicef.

As causas principais são a pobreza e o desemprego crescentes, que acabam servindo como justificativa para aqueles que empregam esses jovens ou mesmo os que se defrontam diariamente com meninos vendendo balas nos sinais, engraxando sapatos nos grandes centros, entregando panfletos nos calçadões ou colhendo algodão nos campos. O fato é que muitos desses pequenos cidadãos são a favor de seu direito de trabalho, mas de forma digna, ao contrário da exploração a que são sujeitados.

A história do trabalho infantil, reconhecidamente ilegal até os 15 anos pela Constituição Brasileira, acompanha a própria trajetória do país enquanto colônia, quando crianças descendentes de negros e índios eram obrigadas a incrementar a mão-de-obra das fazendas. De lá para cá, expandiram-se as "possibilidades de trabalho", passando pelos malabaristas de sinal, o engraxate, o vendedor de balas, até chegar aos "soldados" e os "aviões" recrutados pelo tráfico.

É tão comum presenciar crianças sendo exploradas nas ruas pelos próprios responáveis que ficam de longe monitorando a " produção " de seus " funcionários".

Hoje, dia 1 de maio, enquanto muitos celebram o dia do trabalhador com suas famílias , muitas crianças estão pelos canaviais, olarias, carvoarias, sinais de trânsito , calçadas mendigando para o sustento ( na maioria dos casos, do vício) de seus algozes...Este é tão e somente mais um capítulo na história deste país , que ainda sustenta o lema " Brasil, um país de todos".





Esta imagem não representa nada mais do que um tiro no futuro.








Porque as crianças trocam a escola pelo lixo???






As 45 mil crianças e adolescentes brasileiros que trabalham no lixo são filhos de famílias muito pobres. Eles ajudam seus pais a catar embalagens plásticas, papéis, latinhas de alumínio. Separam vidros e restos de comida. Carregam pesados fardos, empurram carroças. São meninos e meninas de todas as idades. Ganham de R$ 1 a R$ 6 por dia, mas o trabalho que fazem é fundamental para aumentar a renda de suas famílias.



O trabalho desses meninos e meninas é desumano. Nos lixões, ficam expostos a cacos de vidro, ferros retorcidos, alimentos contaminados por resíduos químicos e até agulhas usadas em hospitais - segundo o IBGE, 74% dos municípios brasileiros depositam lixo hospitalar a céu aberto e apenas 57% separam os dejetos nos hospitais.



Embora os meninos e meninas que trabalham no lixo não tenham vida de criança, eles não conseguem deixar de lado a brincadeira. Entre garrafas e latinhas de alumínio, os meninos e meninas buscam e encontram nos lixões os brinquedos que seus pais não podem comprar. No lixão de Campo Grande, por exemplo, o segundo material mais coletado são as bonecas e os carrinhos. Representam 16% de tudo o que se tira do lixo.

A exploração do trabalho infantil é proibida pela Constituição Brasileira, mas isso não impede que todos os dias crianças e adolescentes trabalhem em semáforos, ônibus e esquinas da cidade vendendo jornais, doces, bebidas, frutas, engraxando sapatos e limpando vidros em troca de algum dinheiro. Em geral, os atrativos das ruas motivam crianças e jovens a deixarem de freqüentar as escolas, provocando a evasão escolar.

O Estatuto da Criança e Adolescente (ECA), em seu capítulo 5, proíbe qualquer tipo de trabalho a menores de 14 anos, a não ser na condição de aprendiz. É considerada aprendizagem a formação técnico-profissional. A condição de adolescente aprendiz garante direitos previdenciários e trabalhista a esse público, mas isso não costuma acontecer.

terça-feira, 24 de abril de 2007

Memória


Amar o perdido

deixa confundido

este coração.


Nada pode o olvido

contra o sem sentido

apelo do Não.


As coisas tangíveis

tornam-se insensíveis

à palma da mão.


Mas as coisas findas

muito mais que lindas,

essas ficarão.


Carlos Drummond de Andrade.

Mãos dadas


Não serei o poeta de um mundo caduco.

Também não cantarei o mundo futuro.

Estou preso à vida e olho meus companheiros.

Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.

Entre eles, considere a enorme realidade.

O presente é tão grande, não nos afastemos.

Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.

Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.

Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.

Não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,a vida presente.


Carlos Drummond de Andrade.

As sem-razões do amor


Eu te amo porque te amo,

Não precisas ser amante,

e nem sempre sabes sê-lo.

Eu te amo porque te amo.

Amor é estado de graça

e com amor não se paga.


Amor é dado de graça,

é semeado no vento,

na cachoeira, no eclipse.

Amor foge a dicionários

e a regulamentos vários.


Eu te amo porque não amo

bastante ou demais a mim.

Porque amor não se troca,

não se conjuga nem se ama.

Porque amor é amor a nada,

feliz e forte em si mesmo.


Amor é primo da morte,

e da morte vencedor,

por mais que o matem (e matam)

a cada instante de amor.


Carlos Drummond de Andrade

Não Passou




Passou?

Minúsculas eternidades

deglutidas por mínimos relógios

ressoam na mente cavernosa.


Não, ninguém morreu,

ninguém foi infeliz.

A mão- a tua mão, nossas mãos-rugosas,

têm o antigo calorde quando éramos vivos.

Éramos?


Hoje somos mais vivos do que nunca.

Mentira, estarmos sós.

Nada, que eu sinta, passa realemente.

É tudo ilusão de ter passado.



Carlos Drumond de Andrade

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Rosas vermelhas para pedir PAZ !


Manifestações pela paz tem sido frequentes neste ano de 2007 no Rio de Janeiro, a maioria delas organizada pela ONG Rio de PAZ, que na última quinta feira 19/04 depositou na areia sa praia de Copacabana 1.300 rosas vermelhas que simbolizavam as vítimas da violência no estado neste ano.

O movimento Rio da Paz nasceu no ínicio deste ano, logo após a onda de atentados ocorridos no final de 2006 quando 19 pessoas foram mortas, entre elas 8 que estavam dentro de um ônibus interceptado e incendiado na Avenida Brasil.

IMPUNIDADE SEM FIM.


A estudante Gabriela Prado Maia Ribeiro,de 14 anos, teve a vida interrompida,durante um assalto no metrô da Tijuca.Era a primeira vez que a jovem saia sozinha de casa numa espécie de liberdade condicional imposta pela insegurança pública.Um de seus algozes, já havia sido preso e condenado, mas voltou para a rua beneficiado por uma brecha na lei.A impunidade que matou Gabriela,mata pelo menos 105 inocentes por dia no Brasil.


Não é possível para nenhum de nós deixar passar desapercebidamente o que tem acontecido em nossa sociedade nos últimos tempos. Foi e é com muita indignação e frustração que lemos nos jornais e vimos as cenas na TV que têm nos mostrado as conseqüências da violência , não apenas no nosso Rio de Janeiro, mas no mundo inteiro. Pior ainda é ver que a classe política e muitos de nós cidadãos de uma maneira geral, nos tornarmos insensíveis a tudo isso que tem acontecido em nossa sociedade. Parece até que perdemos a capacidade de nos indignar contra este tipo de coisa. Esta barbaridade, se tornou tão comum em nosso meio, a televisão banalizou de tal forma a violência, que para a grande maioria, torna-se mais uma dentre as muitas formas variadas que acontecem todos os dias no Brasil. Ainda, um outro sentimento que talvez permeie as nossas mentes, nessas horas seja o da impotência, de não poder fazer nada, de não poder mudar nada, de não poder levantar a voz e ficar quietos, porque afinal de contas quem somos nós para mudar alguma coisa? A violência afeta a todos, e orar é algo que todos nós, enquanto pessoas comuns podemos fazer em meio a uma sociedade corrompida e cheia de injustiça e violência. Qual o porquê de tanta violência?

"Até quando, Senhor implorarei sem que escuteis? Até quando vos clamarei: "Violência!" sem que venhais em socorro?"


Quantos Joãos, Gabrielas, Alanas e tantos outros ainda serão sacrificados ???

Quantas familias se desestrurarão por causa de um pai ou uma mãe que não voltou para casa???

Quantas mães ainda chorarão a morte de seus filhos???


Até quando seremos obrigados a dormir na porta de um escola para matricular uma criança?

Até quando precisaremos peregrinar pela cidade a procura de um hospital que nos dê atendimento?

Até quando seremos obrigados a pagar por tributos sem nada a receber em troca???

Quantas vezes seremos obrigados a assistir a lambança que acontece em Brasília???

O mar de lama em que aquilo se transformou???

Sanguessugas e mensaleiros de reelegendo...

Tudo sempre acabando em pizza para eles e em esquecimento para nós...

Até quando iremos suportar um salário minimo vergonhoso para SOBREVIVER enquanto desembargadores, procuradores, juízes , deputados , delegados e toda essa corja estiverem se beneficiando de seus cargos ( muitíssimo bem remunerados ) para contribuir com o crime e com a corrupção???


Até quando???




G.R.E.S UNIDOS DO PAU BRASIL / 22 DE ABRIL 507 ANOS


Desenredo

Composição:
Gonzaguinha e Ivan Lins


No dia em que o jovem Cabral chegou por aqui, ô ô

Conforme diversos anúncios na televisão

Havia um coro afinado da tribo tupi

Formado na beira do cais cantando em inglês

Caminha saltou do avião assoprando um apito em free bemol

Atrás vinha o resto empolgado da tripulação

Usando as tamancas no acerto da marcação

Tomando garrafas inteiras de vinho escocês

Partiram num porre infernal por dentro das matas, ô ô

Ao som de pandeiros chocalhos e acordeãoTamoios,

Tupis, Tupiniquins, acarajés ou Carijós (sei lá quemmais...)

Chegaram e foram formando aquele imenso cordão, meu Deus quibão

E então de repente invadiram a Avenida Central, mas que legal

E meu povo, vestido de tanga adentrou ao coral

Um velho cacique dos pampas sacou do piston

E deu como aberto, em decreto mais um carnaval

E assim, a Vinte e Dois daquele mês de Abril

Fundaram a Escola de Samba Unidos do Pau-Brasil

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Minha Afilhada Linda !!!


Essa é a Letícia , minha riqueza, tenho muito orgulho de tê-la como minha afilhada. Há cinco anos vc chegou em minha vida , fui uma das primeiras pessoas a te conhecer, vc ainda estava no centro cirurgico e eu lá com uma camera na mão tentando encontrar o melhor ângulo...


Quanta alegria você representa para mim, é verdade que alguns sustos você já me deu também.

Mas neste dia, no SEU DIA quero que fique sabendo que a sua LUZ me contagia, que te amo incondicionalmente e que desejo para a sua vida muita paz , muitas realizações e alegrias.

Agradeço a seus pais pela oportunidade de ser sua mãe em Cristo, espero desempenhar com exito esse papel tão almejado... Nossa você nem imagina o quanto foi concorrido... rs


PARABÉNS MEU ANJO !!!


FELICIDADES SEMPRE !!!


Conte com a sua dinda que te ama demais !!!


FELIZ ANIVERSÁRIO , Lelê !

sábado, 7 de abril de 2007

www.corcovado.com.br


Só a mobilização nacional transformará o mais famoso monumento do Brasil em uma das Sete Maravilhas do Mundo. O Cristo Redentor é um dos 21 finalistas do concurso que elegerá, em 7 de julho, os mais importantes cartões-postais do mundo moderno. Participe da campanha "Vote no Cristo. Ele é uma Maravilha"!




Samba do avião
(Antônio Carlos Jobim)
Minha alma canta
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudades
Rio, seu mar Praia sem fim
Rio, você foi feito prá mim
Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Rio de sol, de céu, de mar
Dentro de um minuto estaremos no Galeão
Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Aperte o cinto, vamos chegar
Água brilhando, olha a pista chegando
E vamos nós
Aterrar...

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Comportamento Geral / Gonzaguinha


Você deve notar que não tem mais tutu
E dizer que não está preocupada
Você deve lutar pela xepa da feira
E dizer que está recompensado
Você deve estampar sempre um ar de alegria
E dizer "tudo tem melhorado"
Você deve rezar pelo bem do patrão
E esquecer que está desempregado
Você merece
Você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba e amanhã, seu Zé
Se acabar em teu carnaval
Você deve aprender a baixar a cabeça
E dizer sempre "muito obrigado!"
São palavras que ainda te deixam dizer
Por ser homem bem disciplinado
Deve pois só fazer pelo bem da nação
Tudo aquilo que for ordenado
Pra ganhar um fuscão no juízo final
E diploma de bem-comportado
Você merece
Você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba e amanhã, seu Zé
Se acabar em teu carnaval

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Dia Branco


Se você vier

Pro que der e vier comigo

Eu lhe prometo o sol

Se hoje o sol sair

Ou a chuva

Se a chuva cair

Se você vier

Até onde a gente chegar

Numa praça, na beira do mar

Num pedaço de qualquer lugar

Nesse dia branco

Se branco ele for

Esse tanto esse canto de amor

Se você quiser e vier

Por que der e vier comigo.
Geraldo Azevedo.


Uma das minhas músicas preferidas.

CATIVA-ME !!!


E foi então que apareceu a raposa:

- Bom dia, disse a raposa.

- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho que se voltou mas não viu nada.

- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...

- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita.

- Sou uma raposa, disse a raposa.

- Vem brincar comigo, propôs o princípe, estou tão triste...

- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.

- Ah! Desculpa, disse o principezinho. Após uma reflexão, acrescentou: - O que quer dizer cativar ?

- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?

- Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar?

- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa criar laços...

- Criar laços?

- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo...

Mas a raposa voltou a sua idéia:

- Minha vida é monótona. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música. E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então serás maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo...

A raposa então calou-se e considerou muito tempo o príncipe:

- Por favor, cativa-me! disse ela.

- Bem quisera, disse o principe, mas eu não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer.

- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa.

Os homens não tem tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres uma amiga, cativa-me! Os homens esqueceram a verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer.

" Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"

Parte do livro: O Pequeno príncipe de Antoine de Saint-Exupéry.

Parte de nós...


Espero que você possa aceitar as coisas como elas são...

Sem pensar que tudo conspira contra você...

Porque parte de nós é entendimento....

Mas a outra parte é aprendizado...

Que você possa ter forças para vencer todos os seus medos...

Que no final possa alcançar todos os seus objetivos...

Porque parte de nós é cansaço...

Mas a outra parte é vontade...

Que tudo aquilo que vê e escuta possa lhe trazer conhecimento...

Que essa escola possa ser longa e feliz...

Porque parte de nós é o que vivemos...

Mas a outra parte é o que esperamos...

Que a manhã possa lhe oferecer todo dia a divina luz.

Que você possa fazê-la seu único e verdadeiro caminho...

Porque parte de nós é dúvida...

Mas a outra parte é crença...

Que você possa aprender a perder sem se sentir derrotado...

Que isso possa fazer você cada vez mais guerreiro...

Porque parte de nós é o que temos...

Mas a outra parte é sonho...

Que durante a sua vida você possa construir sentimentos verdadeiros...

Que você possa aceitar que só quem soube a sombra pode saber a luz...

Porque parte de nós é angústia...

Mas a outra parte é conforto...

Que você nunca deixe de acreditar...

Que nunca perca sua fé...

Porque parte de Deus é amor...E a outra parte também!

Teoria do desarmamento...



Por mim, acho que só as mulheres podem desarmar a sociedade, até porque elas são desarmadas pela própria natureza: Nascem sem pênis, sem o poder fálico da penetração e do estupro, tão bem representado por pistolas, revólveres, flechas, espadas.

Ninguém lhes dá, na primeira infância, um fuzil de plástico, como fazem com os meninos, para fortalecer sua virilidade e violência.

As mulheres detestam sangue, até mesmo porque têm que derramá-lo na menstruação ou no parto. Odeiam as guerras, os exércitos regulares ou as gangues urbanas, porque lhes tiram os filhos de sua convivência e os colocam na marginalidade, na insegurança e na violência.

É preciso voltar os olhos para a população feminina como a grande articuladora da paz. E para começar, queremos pregar o respeito ao corpo da mulher. Respeito às suas pernas que têm varizes porque carregam latas d'água e trouxas de roupa.Respeito aos seus seios que perderam a firmeza porque amamentaram seus filhos ao longo dos anos. Respeito ao seu dorso que engrossou, porque elas carregam o país nas costas.

São as mulheres que irão impor um adeus às armas, quando forem ouvidas e valorizadas e puderem fazer prevalecer a ternura de suas mentes e a doçura de seus corações.


Nem toda feiticeira é corcunda.Nem toda brasileira é só bunda.


Rita Lee

Soneto do Amigo





Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com os olhos que contem o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual à mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com meu próprio engano.
O amigo: um ser que a vida não explica,
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...

Vinícius de Moraes

SAMBA DA BENÇÃO




Baden Powell / Vinícius de Moraes

É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração.
Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não

"Senão é como amar uma mulher só linda
E daí?
Uma mulher tem que ter
Qualquer coisa além de beleza
Qualquer coisa de triste
Qualquer coisa que chora
Qualquer coisa que sente saudade
Um molejo de amor machucado
Uma beleza que vem da tristeza
De se saber mulher
Feita apenas para amar
Para sofrer pelo seu amor
E pra ser só perdão..."

Fazer samba não é contar piada
E quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração
Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não

"Feito essa gente que anda por aí
Brincando com a vidaCuidado, companheiro!
A vida é pra valer
E não se engane não, tem uma só.
Duas mesmo que é bom
Ninguém vai me dizer que tem
Sem provar muito bem provado
Com certidão passada em cartório do céu
E assinado embaixo: Deus
E com firma reconhecida!
A vida não é brincadeira, amigo
A vida é arte do encontro,
Embora haja tanto desencontro pela vida
Há sempre uma mulher à sua espera
Com os olhos cheios de carinho
E as mãos cheias de perdão...
Ponha um pouco de amor na sua vida
Como no seu samba"

Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não
Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração

"Eu, por exemplo, o capitão do matoVinicius de Moraes
Poeta e diplomata
O branco mais preto do Brasil
Na linha direta de Xangô, saravá!
A bênção, Senhora
A maior ialorixá da Bahia
Terra de Caymmi e João Gilberto
A bênção, Pixinguinha
Tu que choraste na flauta
Todas as minhas mágoas de amor
A bênção, Sinhô,
A bênção, Cartola
A bênção, Ismael Silva
Sua bênção, Heitor dos Prazeres
A bênção, Nelson Cavaquinho
A bênção, Geraldo Pereira
A bênção, meu bom Cyro Monteiro você, sobrinho de Nonô
A bênção, Noel,
Sua bênção, Ary,
A bênção,
todos os grandesSambistas do Brasil Branco,
preto, mulatoLindo como a pele macia de Oxum.
A bênção, maestro Antonio Carlos Jobim
Parceiro e amigo querido
Que já viajaste tantas canções comigo
E ainda há tantas por viajar
A bênção, Carlinhos Lyra
Parceiro cem por cento
Você que une a ação ao sentimento
E ao pensamento
A bênção, a bênção, Baden Powell
Amigo novo, parceiro novo
Que fizeste este samba comigo
A bênção, amigo
A bênção, maestro Moacir Santos
Não és um só, és tantos como
O meu Brasil de todos os santos
Inclusive meu São Sebastião
Saravá!
A bênção, que eu vou partir
Eu vou ter que dizer adeus"

Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não
Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração