terça-feira, 24 de abril de 2007

Não Passou




Passou?

Minúsculas eternidades

deglutidas por mínimos relógios

ressoam na mente cavernosa.


Não, ninguém morreu,

ninguém foi infeliz.

A mão- a tua mão, nossas mãos-rugosas,

têm o antigo calorde quando éramos vivos.

Éramos?


Hoje somos mais vivos do que nunca.

Mentira, estarmos sós.

Nada, que eu sinta, passa realemente.

É tudo ilusão de ter passado.



Carlos Drumond de Andrade

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