terça-feira, 1 de maio de 2007

1 DE MAIO


O trabalho infantil é repudiado por muitos, usufruído por outros tantos e exercido por cerca de 3,8 milhões de crianças e adolescentes no Brasil, o que vergonhosamente o coloca como o terceiro país da América Latina que mais inviabiliza a infância, segundo dados da Unicef.

As causas principais são a pobreza e o desemprego crescentes, que acabam servindo como justificativa para aqueles que empregam esses jovens ou mesmo os que se defrontam diariamente com meninos vendendo balas nos sinais, engraxando sapatos nos grandes centros, entregando panfletos nos calçadões ou colhendo algodão nos campos. O fato é que muitos desses pequenos cidadãos são a favor de seu direito de trabalho, mas de forma digna, ao contrário da exploração a que são sujeitados.

A história do trabalho infantil, reconhecidamente ilegal até os 15 anos pela Constituição Brasileira, acompanha a própria trajetória do país enquanto colônia, quando crianças descendentes de negros e índios eram obrigadas a incrementar a mão-de-obra das fazendas. De lá para cá, expandiram-se as "possibilidades de trabalho", passando pelos malabaristas de sinal, o engraxate, o vendedor de balas, até chegar aos "soldados" e os "aviões" recrutados pelo tráfico.

É tão comum presenciar crianças sendo exploradas nas ruas pelos próprios responáveis que ficam de longe monitorando a " produção " de seus " funcionários".

Hoje, dia 1 de maio, enquanto muitos celebram o dia do trabalhador com suas famílias , muitas crianças estão pelos canaviais, olarias, carvoarias, sinais de trânsito , calçadas mendigando para o sustento ( na maioria dos casos, do vício) de seus algozes...Este é tão e somente mais um capítulo na história deste país , que ainda sustenta o lema " Brasil, um país de todos".

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